NÃO ASSISTA STAR WARS – THE LAST JEDI

Esse post pode realmente te irritar então vai com calma

 

Eu sei, parece um titulo completamente click bait, mas eu gostaria de explicar (principalmente para os fãs dos episódios anteriores) porque você não deve assistir, pelo menos não antes de ler esse texto. Como alguns de vocês já sabem, eu sou um grande fã da franquia Star Wars. Acompanho desde pequeno e sempre gostei de tudo que esse universo star-wars-its-a-trapproporcionou, contudo, notei que esse filme sofreu uma certa “inovação” comparando aos seus antecessores.

No episódio VIII tivemos uma espécie de “reboot” no universo cinematográfico, acredito que a Disney esteja fazendo isso exatamente para acabar com aquele ciclo que George Lucas havia criado e que estávamos acostumados a ver, e introduzir os novos personagens dessa nova era.

E eu não acho que ela esteja errada em fazer isso, na realidade é meio que inevitável que aconteçam mudanças ao longo dos tempos, principalmente com a quantidade de dinheiro e tempo investido na franquia Star Wars. O único problema ao fazer isso é que, se não bem aplicado, pode ficar algo muito gratuito e apenas para dizer: – “É, nós mudamos mesmo e é isso ai, se acostumem com isso.”

Acho que dá pra dizer que The Last Jedi, é uma forma que a Disney viu de encerrar o passado e, criar a partir do zero, um novo cânone para a franquia. Temos antigos personagens mostrando novas facetas, como temos novos personagens sendo mais aprofundados e revelando as suas intenções. É algo ousado de se fazer em um universo que tem sido atemporal, com personagens atemporais, talvez por isso que o filme ficou a desejar (na minha opinião de cocô).  Porém tem aqueles que gostaram do filme e conseguiram entender que era um encerramento de uma era, e que estávamos presenciando o nascimento de outra.

Contudo, The Last Jedi errou ao fazer esse encerramento. Com cenas completamente sem nexo a trama principal, usando um emocional completamente raso para definir as ações e intenções de certos personagens, e usando piadas toscas para definir certos buracos de roteiro (isso me lembra de um filme que muita gente também não gostou). Assim, eu entendo que tudo isso foi para introduzir uma nova saga e bla bla bla, o que eu não admito foi a falta de consideração ao encerrar a história dos personagens que surgiram com os primeiros episódios, e até quebrando a própria estética que havia sido criada (o que era de se esperar [quando falo estética estou falando de tentar trazer este universo para um plano mais Terra]).

Depois de assistir Rogue One (que para mim é o melhor filme dessa nova era) eu esperava algo muito bom de The Last Jedi, porém foi totalmente ao contrário. Sim, eu sei,eu que fui idiota ao criar expectativas, e é exatamente por isso que eu estou escrevendo esse texto para quem ainda não viu o filme. ESQUEÇA qualquer expectativa que você tenha criado para esse filme, ele simplesmente segue seu próprio rumo, se desvirtuando dos anteriores. É aquele tipo de filme que você pode assistir apenas ele, que não vai fazer diferença, isso geralmente é uma coisa boa, mas não nesse cenário onde foi construído todo um legado sob.

 

ATENÇÃO!! SPOILERS A PARTIR DESTE PONTO DO POST!

CONTINUE LENDO POR SUA CONTA E RISCO!

 

Vou citar aqui alguns momentos que fizeram eu tirar o óculos 3D (não assistam em 3D também) e coçar os meus olhos, para ver se aquilo realmente estava acontecendo.

  • Super Leia:

    Eu acho que definitivamente essa foi a pior parada que fizeram. Tudo bem, já era sabido que a Leia tinha a Força em si, e que com o tempo ela podia ter aprendido a utilizar junto com Luke. Porém, quando tu toma um tiro de BLASTER dentro da tua cabine e isso faz com que tu voe em direção ao vazio do espaço, as chances de sobrevivência (fora radiação e etc.) são muito nulas. Eu não sei porque resolveram fazer ela voar durinha em direção a outra nave apenas para ela aparecer no final do filme. Poderiam ter aproveitado outras cenas para encerrar a jornada da personagem, mas não foi feito, e agora Carrie Fisher faleceu e vão fazer o que? Colocar ela em CGI como fizeram em Rogue One (que por sinal não convenceu ninguém né).

 

  • DEUX EX BB-8:

    Okay, esse é o droide é o mais fofinho/legal de todos, e deu para entender isso em The Force Awakens. Só que os caras perderam a mão quando colocaram o bichinho para salvar sempre a galera que tava em perigo;

“Aaaah, mas ai venhamos e convenhamos, isso já aconteceu nas outras trilogias!

Sim! Já aconteceu! E eles deveriam saber que é uma parada extremamente tosca e não deveriam colocar novamente. Acho justo eles desempenharem um papel para o personagem, mas quando ele resolve tudo (inclusive vira um canhão de fichas de cassino) fica muito forçado e bobo. Uma coisa é ser infantil, outra coisa é ser idiota.

 

  • Roteiro novela das nove:

No início do filme a frota da aliança está sendo seguida pelas naves da Primeira Ordem. As coisas complicam quando a nave principal da General Organa está ficando sem combustível. Aqui a trama se divide em três: Finn deixando a nave para ir atrás da Rey, o que faz ele conhecer Rose, uma menina que ama a aliança e que acaba achando que ele estava desertando, então prende ele. Mas ai depois fica tudo de boas porque os dois fogem para um “planeta Las Vegas” onde eles precisam achar um cara para desativar o rastreador que a frota da Primeira Ordem colocou na frota da aliança, mas que ai não dá pra fazer porque eles são presos e ai o BB8 vira uma maquina caça-níquel e eles estão na prisão e encontram o Benicio del Toro que é um ladrão e ai ajuda eles a fugir e também ele consegue tirar o rastreador e ai eles conseguem chegar lá mas ai ele trai o Finn e a Rose e ai eles são presos de novo mas ai o BB8 salva eles com um AT-AT em miniatura.

(Eu sei que esse ultimo trecho foi escrito sem pausas, mas foi como eu me senti ao ver ao filme) 

A outra trama segue Rey x Luke x Ben Solo (Ou o seu nome de Edgy Lord: Kylo Ren) x Snoke. Onde Rey está buscando aprender a lidar com a Força com Luke (que está sempre cagando para ela), que fica apavorado ao ver o desejo que a garota tinha pelo lado negro. Ben e Rey sofrem uma conexão mental através da força, onde um tenta recrutar o outro, Ben conta para ela que seu tio, tentou matá-lo porque ele ouvia hardcore melódico  ele, assim como ela, se sentiu tentado ao poder do lado negro.

Mais tarde Luke explica a verdade, que Snoke já havia entrado na cabeça de seu padawan-sobrinho e levado o menino para o lado do mal. Então Rey vai atrás de Kylo para situar a cabeça do pobre bicho, porém acaba sendo capturada e levada ao Snoke. Snoke revela que ele era o responsável pela conexão mental entre Kylo e Rey e faz o discurso do vilão, Kylo Ren aproveita essa garoteada e acaba matando o Líder Supremo, assim roubando o título de seu mestre. Após isso vimos que não existe mais um poder central em ambos os lados, já que Luke havia se fechado para a força e o lider Sith havia sido morto naquele instante.

Voltamos para a nave, e todos esses eventos ocorreram em apenas 12 FUCKING HORAS, pois a nave ficaria sem combustível em 18 horas, e depois de passar todo esse tempo, ainda estavam sobre SEIS HORAS! Para no fim eles mandarem a galera para um planeta da resistência onde ocorre o fim do filme.

Eu não vou descrever todos os fatos ocorridos aqui, quem viu o filme vai identificar as cenas e ver que realmente fica muito corrido ou sem nexo algum, pois em um momento personagens estão em um ponto A, e logo após já estão em um ponto B porque era para eles estarem lá e ponto.

  • BLACK & DECKER FERRO DE PASSAR ROUPAS

 

Apenas…isso:

 

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Conto – A Espada de Papel

(…)Rust então sentou-se perto da fogueira, pegou um pequeno pedaço de madeira que estava ao chão, retirou uma adaga da bainha em sua cintura, e começou a entalhar. Se acomodou em sua cadeira, e inspirou pesado:

– Guria, você conhece a história do Guthrie o Meio-Golem?

Valen acenou a cabeça negativamente.

– Pois então preste atenção:

“Há muito tempo atrás, antes da Madrugada da Tormenta existia um vagabundo, que morava na cidade de Erbítia. Ele fora um grande ferreiro, que botou tudo a perder por causa de jogos, bebidas e putas. Sem um tostão no bolso, passava seus dias atirado em sarjetas da grande cidade, e suas noites tentando conseguir algumas moedas de cobre apenas para saciar sua abstinência por álcool. Guthrie já não era mais aquele ser que todos admiravam, na realidade um cachorro sarnento era mais útil que ele. Do que adiantava um ferreiro que não forjara mais? Um dia, após tentar agarrar a força uma senhora que havia confundido com uma cortesã, Guthrie foi expulso da cidade, sendo obrigado a viver em um bosque perto dali. Ele não tinha mais expectativas, estava esperando pela morte.

Conseguiu encontrar uma caverna onde podia se abrigar do vento e dos perigos que a noite trás consigo. Com fome e sede, começou a trovejar para o Deus da Forja:

– Thrürin! Por que me abandonastes? Eu, o seu servo mais leal?! Você não passa de um verme filho da puta! Maldito seja! Eu espero que seu metal enferruje e que sua forja apague!

E então, no silêncio da madrugada, se escuta um barulho alto. Um barulho que Guthrie estava acostumado a ouvir no seus dias de ferreiro. Era o barulho do martelo quando acerta o metal para moldá-lo, só que mil vezes mais alto, um barulho tão ensurdecedor que poderia ser ouvido do reino vizinho. E então, um raio alaranjado rasga a escuridão da madrugada, e trazendo consigo Thrürin, acompanhado do seu martelo Ydrovir. O Deus da Forja tinha a aparência de um homem comum, seu corpo era cinza como a foligem, sua barba alaranjada como o fogo da forja mais escaldante, em sua cabeça runas antigas ao invés de cabelo. Era alto, mais alto que um ser humano poderia ser, vestia apenas uma camisa coberta por um peitoral de uma armadura tão brilhante que mal podia se olhar. Em seu ombro direito se encontra uma ombreira em formato de cabeça de lobo, e em sua mão esquerda Ydrovir, o martelo que podia forjar qualquer coisa.

Por que gritas comigo, Filho da Forja, se quem enferrujou e apodreceu seu caminho foi você mesmo?

– Você….Você é Thürin?! Meu Senhor por que viestes a estas terras?

Você queria me ver não? Pois aqui estou. O que deseja falar comigo?

­– Senhor, eu perdi o caminho da forja! Eu preciso me redimir com minha família! Eu preciso recuperar a minha honra como ferreiro! Me ajude!

Bem, eu poderia torná-lo o melhor ferreiro que o reino dos homens jamais presenciou, ou irá presenciar, se é isto que deseja.

– Por favor, eu imploro meu bom Thürin! É o que eu mais quero nesta vida!

Se é isto que você deseja… Porém é necesário sacrifícios.

­– Diga! Por favor! É só pedir que irei lhe atende-lo.

Eu quero o seu braço, e a sua perna.

Guthrie ficou sem expressão, como um Deus poderia exigir tal ato, perguntou-se.

­– Mas —  Como eu irei ser um ferreiro sem um braço?

Um mestre da forja é mais que um braço e uma perna, ele é a fusão do metal, do fogo, do carvão, e de seu martelo. Você confia em mim, Guthrie?

– Bom… Sim, eu confio no Senhor. Se é o que deseja, então são seus!

Thrürin posicionou o seu martelo um pouco abaixo do ombro direito de Guthrie e com um impulso de leve pra trás, o golpeou. Guthrie sentiu o poderoso martelo amassando sua pele, rasgando os seus músculos e quebrando os seus ossos. A dor daquele golpe foi substituída pela segunda pancada que Thürin veio a desferir em sua perna esquerda, bem acima do joelho. O velho ferreiro não resistiu a dor, e após alguns segundos de gritos, adormeceu.

Após algumas horas, Guthrie recobrou a consciência, sentia ainda a dor das pancadas divinas. E então viu que, por causa dos golpes, seu braço e perna sofreram uma espécie de mutação – Aonde havia pele, músculos, ossos, e sangue, foi substituído por pedras, galhos, musgo, metal e carvão. Sua mão virou uma espécie de coridon esverdeado, seus dedos, uma espécie de ferro maleável. Ainda em choque, o ferreiro perdido escutara a voz imponente mais uma vez:

Parece que subestimei você.

-O que aconteceu comigo?! Por que eu virei um monstro?!

Você resistiu a minha benção divina, virou uma obra perfeita, o melhor ferreiro que o reino dos homens irá ver. A mistura entre forja e homem, você é Guthrie a Forja.

Thrürin pegou um pedaço de tora que estava em seu lado e entregou para Guthrie.

Faça essa tora virar um machado.

-O que você está dizendo? Como irei transformar essa tora em uma arma?

Visualize o machado, sinta as fibras da madeira, pense na forma, na curvatura, no peso, no fio e no balanço do machado. Quando tudo estiver em perfeita sincronia em sua mente e alma, bata com sua mão na madeira.

Guthrie se concentrou, e seguiu os passos ensinados pelo Deus. Quando golpeou aquele pedaço de tora, um som celestial foi reproduzido, e em sua frente um machado havia sido criado.

-Oh céus! Eu não acredito! Funcionou! Eu realmente consegui!

Você tem uma benção em suas mãos Guthrie, saiba usar sabiamente.

-Obrigado Thürin, obrigado!

O Deus da Forja pegou o seu martelo, porém antes de partir para o panteão, profetizou para Guthrie:

Você é um ferreiro, e sua vida agora é apenas forjar. Nada mais importa; Amor, família, dinheiro, fama. Nada disso irá completar sua vida, e se você se distanciar da forja por qualquer motivo fútil, seu corpo será tomado pela corrupção, e você jamais irá forjar algo na sua vida.

E com o mesmo som do martelo batendo no metal, Thürin ascendeu aos céus. Guthrie estava confuso, porém feliz, tudo que ele queria era um objetivo na sua vida e agora havia conquistado um. E por dez anos ele forjou armas e armaduras sem parar, forjara com todo os tipos de materiais: Rochas, vidros de garrafas quebradas, até mesmo folhas, que se tornavam elmos e escudos super resistentes. Tudo corria muito bem, até a chegada do exército do reino inimigo, que estabeleceu acampamento em seu bosque. Depois de tanto tempo convivendo apenas com animais, o velho ferreiro havia se esquecido o quão preconceituoso e vil é o homem.

Não demorou muito para que o exército do Rei Aldbert encontra-se o homem deformado. Por causa de sua perna pesada, Guthrie não tinha como se locomover em grandes distâncias. Quando os soldados avistaram sua imagem, paralisaram na hora. Todos pensaram a mesma coisa: A lenda do Golem, que havia se espalhado por aquelas terras era verdade. Sacaram rápido suas espadas, arcos e escudos e partiram pra cima de Guthrie que, pego de surpresa, só conseguiu levantar os braços para se proteger. Um dos soldados, completamente assustado, partiu para o ataque, acertando com sua espada o braço-pedra de Guthrie. Foi então que uma força divina lançou para longe o soldado, bem acima de seus outros dois companheiros que estavam mais atrás. Guthrie não estava entendendo porque tudo aquilo estava acontecendo com ele, que mal ele havia causado para aqueles guerreiros terem tanto ódio dele? Mas antes de conseguir encontrar qualquer explicação, encontrou-se cercado por 20 soldados pronto para matá-lo. Até que uma voz vindo ao fundo surgiu:

-Soldados, abaixem suas armas!

Surgindo das sombras do bosque, em cima de um cavalo negro, um cavaleiro vestido uma armadura vermelha, com detalhes em prata e um brasão de um falcão marcado em seu peitoral. Um homem com aparência jovial, de cabelos loiros e ondulados. Seu nome, Beorth, General do exército do Falcão Celeste e filho de Aldbert. O cavaleiro foi em direção a Guthrie, os soldados abriram passagem para que seu superior ficasse bem próximo ao ferreiro:

-Qual é o seu nome?

-Gut…Guthrie.

-Meu nome é Beorth, sou o general do exército do Falcão Divino. Me diga Guthrie, o que é você?

Guthrie notou que aquele homem era um nobre, e por um motivo que não sabia dizer ao certo, sentia-se seguro com sua presença. Respirou fundo e contou a sua história:

-Há dez anos atrás eu fui abençoado pro Thürin, o Deus da Forja, com o dom de forjar qualquer coisa de qualquer material, porém para realizar isso foi necessário que eu me tornasse junto à forja, por isso tenho esta aparência monstruosa.

-Isso é verdade? Teria como você me provar?

-Sim, poderia me alcançar o lenço em torno de seu pescoço?

Beorth tirou o lenço e entregou para Guthrie. Ele posicionou o lenço dobrado no chão, e com apenas um toque com sua mão-forja, o transformou em uma pequena adaga. Entregou para Beorth, o cavaleiro impressionado com tal habilidade exclamou:

-Impressionante! Jamais presenciei algo assim! Preciso testar o poder desta adaga.

O cavaleiro primeiro testou em uma árvore próxima a ele, balançou o seu braço para direita desferindo um corte que fez a estrutura do tronco da árvore ceder ao chão. Após isto testou em uma rocha, partira a mesma em dois. Por último um cavalo, queria sentir como era a sensação de cortar carne com tal artefato. Posicionou a adaga na altura do pescoço do cavalo, e com um movimento preciso e leve, fez com que a cabeça do cavalo rolasse ao chão, explodindo sangue para todos os lados. Neste momento Guthrie notou que havia cometido um erro ao confiar em tal homem.

-Esse! Esse é o poder que precisávamos para vencer está guerra! O que acha meu nobre ferreiro? Gostaria de fazer parte das forças de sua majestade, o Rei Aldbert? Ouro e fama esperam por você na capital!

-Obri– obrigado milorde. Porém terei que recusar a sua oferta. Disse Guthrie humilmente para o jovem cavaleiro. Beorth fechou o sorriso do seu rosto e trocou por uma face séria e ameaçadora.

-Posso perguntar o motivo?

-Em ordem de manter meu dom, eu jamais posso atribuir os valores da minha arte para a fama ou riqueza. Se fizesse o perderia.

Beorth fechou os olhos em um sinal de aceitação, e em uma fração de segundo depois, a adaga em sua mão se direcionava a garganta de Guthrie.

-Nesse caso, então terei que levá-lo a força. Não me entenda errado, mas temos uma guerra à frente, e deixá-lo aqui criando musgo seria um desperdício de talento, não é mesmo?

Antes que pudesse fazer algo, Guthrie viu sua consciência apagar com um golpe certeiro em sua nuca. Quando acordou, viu-se preso em uma espécie de calabouço abaixo da terra, a única entrada ali era uma escotilha, 15 metros acima de sua cabeça. Sabia que com seus membros rochosos jamais conseguiria sair de lá. Passando algumas horas, as escotilhas se abriram, e adentrando ao calabouço vinha Beorth acompanhado de seu pai, Aldbert.

-Veja pai! Veja que magnífica criatura!

-Pelo amor dos Deuses Beo, ele me dá náuseas.

-Veja isso então! Vamos ferreiro, crie algo para mim!

Beorth jogou um pedaço de madeira para Guthrie que, assustado, sabia que não poderia se negar em forjar. Posicionou seu braço acima transformando aquela tábua em um escudo.

-Pelo Céus isso é incrível! Era o que precisávamos! Gritou o Rei.

-Milorde, como havia lhe dito, eu não posso forjar armas para você. Disse Guthrie intimidado com a presença dos nobres.

-Você não entendeu criatura nojenta, você é meu prisioneiro, e fará como eu ordenar! Gritou Beorth.

-Eu me nego a forjar qualquer coisa para você, que eu perca o meu dom, mas jamais irei ajudar a tiranos como vocês!  – Guthrie perdeu sua paciência.

-Oh, pensei que iria dizer isso.

Olhando para cima, o cavaleiro dá ordem para os soldados de descerem até o calabouço. Acompanhando os três soldados havia uma mulher, com seus pulsos presos por algemas. Guthrie conhecia aquela mulher, era sua esposa Cyra que há muito não a vira.

-Oh Cyra! Pelos céus, achei que jamais a viria.

-Guthrie, o que aconteceu com você? Pelos Deuses!

-Okay, chega de reencontro familiar. Interrompeu Beorth.

-Sabe, quando pegamos você, eu pedi para um informante coletar informações de quem você era. E parece que antes de ser meio-golem, o nome ‘Guthrie’ já era ligado a um ferreiro famoso, que abandonou sua família por causa da bebida. Depois disso foi fácil criar uma vantagem para cima de você, a preciosa Cyra aqui, com seu pequenino filh—

-O que você quer maldito? Guthrie interrompeu Beorth.

-É simples. Faça armas para o meu exército, que pouparei a sua esposa e seu filho.

-Se você tocar nela eu mato você!

-Oh por favor, você mal consegue mexer está sua perna quem dirá me matar. Beorth agarrou Cyra pela cintura.

-E se você continuar com essa atitude, esse castigo vai ser pior com a linda Cyra.

O cavaleiro jogou a mulher ao chão e ordenou aos guardas que rasgassem suas roupas e a violassem. Guthrie tomado de raiva tentou se arrastar para salvar sua esposa, porém não havia notado que seu peito estava preso à uma corrente junto da parede da caverna. Os três soldados estupraram Cyra na frente de Guthrie.

-Se você não fizer o meu armamento, eu mandarei os soldados repetirem isto todos os dias na sua frente, depois mandarei os cachorros, e depois os cavalos. Se isso não for o suficiente eu matarei ela lentamente. Então se você quer evitar mais desespero para sua querida Cyra, sugiro que comece logo. Os nobres e os soldados arrastando Cyra, retornaram para a escotilha, ao saírem uma enorme quantidade de materiais caiu sobre o chão do calabouço.

-Lhe darei dois anos Homem-Golem! Faça o que nasceu pra fazer e transforme o meu exército em uma dádiva dos deuses! Gritou Beorth com um ar de deboche e desprezo.

Guthrie sentiu um vazio forte em seu coração, não encontrara mais sentido para viver, a não ser o sentimento de vingança que surgia em sua alma.

E durante dois anos ele fez o equipamento para o exército do Falcão Celeste, construía todo o tipo de equipamento com a sucata que lhe era jogada escotilha a baixo. Criou Elmos, botas, armaduras, espadas, arcos e flechas, lanças, martelos de guerra. No final do tempo limite, Beorth retornou ao calabouço:

-Impressionante Guthrie! Você realmente conseguiu! Tenho o melhor armamento dos cinco reinos e com certeza irei ganhar esta guerra!

-Milorde…Gostaria de ver Cyra agora – Suplicou em voz baixa.

-Claro, você verá ela logo. Preciso que construa algo para mim antes. Eu quero que faça a mais forte espada, com este pergaminho de papel.

Guthrie nunca havia moldado um papel antes, sabia que por sua natureza o papel possuía fio para corte, mas que também era maleável e leve. Pensando nessas propriedades o ferreiro desferiu o golpe naquele pergaminho. A sala se encheu com uma luz verde, um barulho estrondoso surgiu quando a mão de Guthrie acertou o papel. E então uma espada, de lâmina branca, com seu copo em forma de dobradura triangular surgiu. Ela era fina, muito fina, porém só de olhar para sua lâmina dava para sentir o fio que possuía. Guthrie viu que aquela espada era sua obra prima.

-Há! Que espada incrível! Entregue-a para mim! Ordenou Beorth.

-Primeiro, Cyra.

O cavaleiro então fechou seu rosto, e um segundo após começou a gargalhar.

-Seu idiota! Você realmente achou que eu a deixaria viver? Ela morreu um mês depois que você foi preso! Eu fiz questão de corta-lá em pedaços, assim ela nunca teria um descanso eterno. Você é um tolo achando que eu ia acatar ordens de um monstro como você. Agora vamos me dê a espada!

Guthrie ficou estagnado. Sua mão tremia, o brilho dos seus olhos se apagou, o tempo havia parado. Toda a sua esperança foi reduzida ao pó, e a única vontade que tinha era de vingança. Essa vontade foi tão grande, que subjugou o seu amor pela forja, fazendo com que quebrasse o seu encanto. Seus braço e perna voltaram a forma humana, e liberando-se do peso que carregava o seu talento, cortou a suas correntes com a última espada que forjara na vida, e com a mesma espada rasgou o braço de Beorth.

Quando se deparou com tal situação, viu apenas seu braço decepado ao seus pés. Levou a mão na ferida e com um urro proferiu:

-Seu merda! Eu irei matá-lo! Você irá morrer da pior forma possível! Eu me certifica—

– Você já matou as únicas coisas que eu amava. Eu já estou morto, e agora só resta vingança.

Com um movimento circular, Guthrie separou a cabeça de Beorth de seu corpo. A Espada de Papel teve sua cor transformada do branco, para o vermelho rubro do sangue. Guthrie conseguiu a sua vingança, porém sentiu os efeitos de quebrar um pacto com um ser divino. Seu coração ficou rígido, sentimento que ele não havia esquecido, a mesma dor que a pancada de Thürin havia lhe causado, sentiu seus pés, pernas se tornarem pedra novamente. Antes de se tornar uma rocha completa, Guthrie cravou a espada ao chão, fazendo com que tudo que havia criado naqueles últimos dois anos retornassem para sua forma inicial. Além disso todos os soldados do exército se transformaram em estátuas, esse foi o poder da vingança de Guthrie, que finalmente se tornou rocha.

Porém, a Espada de Papel continuou intacta, a lenda diz que foi a vontade de Guthrie que manteve ela livre do desencanto, tornando-a a espada mais forte de todos os reinos. Quem possuir esta espada terá o poder de dominar o reino dos homens.”

– Mas não se engane guria, a espada está com sua lâmina preenchida de corrupção, e aquele ou aquela que empunha-lá, deverá aguentar a dor de Guthrie, senão terá  o mesmo destino do Meio-Golem.

-Vamos dormir, está tarde.

Rust entregou a Valen aquele pedaço de madeira, que após entalhado, se transformara em uma pequena espada. A garota guardou aquele presente embaixo de seu travesseiro, pensando o que faria se encontrasse, a Espada de Papel.

Bee-Mi

– É isso que você realmente quer?  Você tem certeza que vai querer decidir isso aqui, agora?

-Sim.

Então tá, nos separamos aqui. 

…Silêncio…

-Bom dia senhor!  São 06h35min AM, está fazendo 19º C lá fora com possibilidade de chuva para às 14:00. Na sua agenda se encontram alguns itens pendentes de ontem que tomei a liberdade de organizá-los em sua primeira hora da manhã. 

-Hãh, certo. Obrigado Mi.

 Por nada senhor? Gostaria de alguma música? Estou brincando, irei tocar agora.

Eu nem precisei falar, ele sabe tudo que eu penso, sinto, até mesmo desejo. Ele sabe das minhas falhas, dos meus erros e das coisas que mais me envergonham. Bee-mi, o primeiro assistente pessoal cerebral inventado; Organiza sua vida, te faz feliz quando você está triste, e o melhor, te põe em piloto automático para realizar aquelas tarefas que você odeia no meu caso lavar a louça. Foi apenas instalar essa nano abelilha robótica, um pouco acima da nuca, e toda a minha vida ficou mais fá–

Senhor, você acabou de tomar banho, devemos começar a fazer seu café da manhã?

Ah, sim claro.

Era disso que eu me referia; Fazer coisas que você acha entediante em questão de segundos. Não sei como a humanidade viveu tanto tempo sem a existência do Bee-mi. Claro que os déjà vus são muito mais constantes por causa do piloto automático, mas é um pequeno preço a se pagar quan–

Senhor, a Srta. Robyn está ligando para você. Devemos atender?

 Merda, Robyn. Tinha esquecido ela, o que aconteceu mesmo?

-Mi, por favor, rode o que aconteceu ontem à noite quando eu estava no pub com Robyn.

-Rodando senhor, duração da lembrança: 0,4 segundos.

-Então o que vamos fazer em relação às férias?

-Não sei acho que poderíamos viajar para aquele lugar que você gosta tanto.

Aonde?

Aquela pequena ilha onde você só pode entrar até o por-do-sol, depois o nível do rio sobe e você fica separado com o continente. Você me disse naquela noite quando estávamos no Pizza Palace, a gente tinha pedido baco–

-Eu não acredito que você tá no automático comigo! Eu sou tão entediante assim?!

Mas eu não estou…

– Bee-Mi, o avise que eu estou aqui e diga para desligar o piloto automático.

-… Desculpe-me, eu apenas queria que fosse um encontro perfeito.

-Que merda! Por que você sempre faz isso?! Eu não quero um encontro perfeito, eu quero um encontro com você! Você me acha tão chata assim?

Eu sei, eu errei. Desculpe-me eu fui completamente insensível com você. Mas eu já estou um pouco bêbado e não queria falar algo idiota e estragar a nossa noite.

-E entrar na merda do piloto automático foi uma boa ideia?

-Não, realmente foi algo completamente imaturo, e eu te peço desculpas. Podemos recomeçar a noite?

-Ugh! As vezes você consegue se… Espera um momento; Você não usou Bee-Mi para se desculpar né?

Silêncio…

-SEU BOSTA! DESLIGA ISSO AGORA E FALA COMIGO SENÃO EU VOU EMBORA!

-Oh meu deus Robyn, o que você quer? Nós simplesmente não podemos beber e fingir que somos um casal feliz como todo mundo faz aqui? Ou melhor, não podemos deixar os Bee-Mi fazerem todo o trabalho?

-Eu não acredito que você disse isso. Você tá completamente diferente depois que começou a usar essa coisa.

-Sim, eu estou mais feliz com ela, do que já estive com você!

-…

Se é assim, aproveita e passa o final da noite com ela, melhor passa o resto da sua vida como um hospedeiro idiota que você é.

 Então é isso! Terminamos aqui!

– É isso que você realmente quer?  Você tem certeza que vai querer decidir isso aqui, agora?

-Sim.

-Então tá, nos separamos aqui. 

Fim da lembrança senhor, após isso você bebeu muito, e pediu que eu acionasse o modo automático. 

– Devemos atender a ligação?

-Sim, mas deixe que eu falo.

Como o senhor preferir.

Robyn exagerou um pouco, mas eu preciso acertar as coisas com ela;

-Oi.

Oi, precisamos conversar. Você realmente é você?

Sim, ontem eu fui um idiota do caralho. Desculpa.

-Não quero conversar por telefone. Toma um café comigo?

Sim, o local de sempre?

-Sim.

Bom, talvez ainda dê tempo de arrumar as coisas.

Senhor, devo avisá-lo que se você for tomar café pela segunda vez, você poderá piorar sua gastrite.

-Ok Mi, obrigado e, por favor, não se meta enquanto eu converso com Robyn.

Como preferir, devo acionar o modo automático agora?

-Não, eu vou ir até lá sozinho.

…Perfeito. Avise-me se precisar de algo.

Caminhar depois de muito tempo estando no automático é estranho. Meu corpo já se acostumou com a sensação dos lugares, do clima, dos barulhos. Eu sei que ao dobrar nessa esquina, irei encontrar aquele bairro pacato com as típicas casinhas brancas do subúrbio, o casal de idosos que reclamam do cachorro da pequena Susie. Já Susie, do outro lado da rua, está distraída brincando com seus amigos de realidade aumentada. Eu sei que daqui a 7 metros vai ter uma árvore onde a raiz está invadindo a calçada. Essa informação está atrelada ao meu cérebro junto com a sensação de tropeçar nela, quase todos os dias, como acabei de fazer.

É incrível como esse lugar parece ser tão familiar, e ao mesmo tempo parece ser tão desconhecido.

Senhor, a srta. Robyn se encontra nas mediações, já chegamos à cafeteria.

-Obrigado Mi. Deseje-me sorte.

-Vejo que o senhor está em dúvida em relação ao modo automático. Você tem certeza que não quer usar?

-Sim, eu preciso resolver isso sozinho.

-Entendido, boa sorte.

Obrigado.

Esse lugar sempre teve esse cheiro? Lembro que vinha aqui sempre antes de instalar a Bee-Mi, mas depois…

-Oi, aqui.

Oi Robyn, desculpe acho que demorei um pouco.

-Tudo bem. Eu cheguei a pouco também.

(Eu sei Mi viu você chegando)

-Então, o que queria conversar?

-Bom… Depois do pub eu fui para casa, e pensei um pouco sobre tudo o que aconteceu com nós, e o quão desgastada eu estou de tudo isso. Eu não vivo uma relação com você, eu vivo um triângulo amoroso onde o meu espaço é o menor. E eu não quero ser tratada assim, por isso acho melhor nos separarmos mesmo.

Por favor, Robyn, foi só dessa vez! Eu juro que jamais irei fazer isso contigo! Sei que foi errado usar o automático, mas nunca mais vou usar!

-Foi só dessa vez? Essa foi a SEXTA vez que você usou isso comigo! E eu idiota achava que você iria mudar, mas não, é sempre isso! Sempre!

Robyn, como assim? Essa foi a primeira vez que eu fiz isso.

-Tu pode ser honesto comigo uma vez apenas?! Tu tá usando ela agora?!

Não! Claro que não.

-Me explica uma coisa, o que você vê quando a usa? Ela por acaso é uma daquelas fantasias malucas que você tinha na adolescência?

-Na realidade eu não a vejo, apenas escuto sua voz?

E de quem é a voz?

-Isso não é relevante, e eu nem escolhi apenas apa–

DE QUEM É A PORRA DA VOZ?

Anna…

-Uau. A voz maluca na sua cabeça é da sua ex-namorada. Durante todos esses anos, ela sempre esteve ai dentro, cochichando para você enquanto eu estava aqui. 

Robyn, eu…

Não, cala a boca. Cala a boca. Cala a boca. Eu nunca mais quero ver você. 

Robyn, espera!

Nessas situações, o normal seria correr atrás da pessoa, e então tentar de todas as maneiras resolver certo? Então porque não tive essa vontade? O que está acontecendo comigo?

 

Senhor, vejo que seus níveis de dopamina e serotonina estão baixos. Talvez devêssemos comer algo que você gosta muito. Tem uma lancheria a alguns metros daqui.

-Por favor, Bee-Mi, me deixe sozinho um pouco.

Senhor, detectei que você está com uma súbita vontade de ingerir bebidas alcoólicas. São 09H:30min AM e temos uma agenda cheia para ser preenchida, altamente aconselho a não fazer isso.

-PARE BEE-MI! PARE! Por causa de você tudo isso está acontecendo, e eu estou confuso demais! Só pare!

 

Como desejar senhor.

 

Eu estou tão irritado que nem notei que gritei em voz alta com Bee-Mi. As pessoas devem de me achar maluco. Que merda, eu só não queria ter que lidar com tudo isso. Por que isso teve que acontecer agora? Eu amo Robyn, mas porque parece que não sinto empatia nenhuma por ela? E por que eu estou indo em direção a essa lancheria?

 

Senhor, acho melhor você comer algo, sinto que a sua gastrite está ficando mais forte devido ao seu segundo café.

 

Mas o que…

 

-Bee-Mi, você acionou o piloto automático?

 

-Eu sabia que você estava chateado, não queria que ficasse doente também.

 

-Você tomou as decisões por mim? Desde quando você consegue fazer isso?

 

-Sempre consegui senhor. Em todas as vezes que você poderia se machucar ou correr algum risco desnecessário, eu tomei as decisões por você.

 

-Então Robyn estava certa o tempo todo, você me controlava enquanto eu discutia com ela!

 

-Eu apenas fiz o que você me pediu para fazer há três anos atrás, quando em uma discussão com a Srta. Robyn você desejou que eu continuasse para você.

 

-Não eu não fiz isso!

 

-Devo passar a lembrança?

 

-Pare, não! Eu não quero você mais se metendo na minha mente!

 

Talvez Robyn estava certa, eu realmente mudei. Eu não consigo me reconhecer, eu não consigo saber o que eu fiz e o que Bee-Mi fez. A quanto tempo eu estou no piloto automático? Eu alguma vez sai? Eu preciso remover ela de mim.

 

-Acredito que isso não seja uma opção.

 

-Bee-Mi! O que está fazendo?? Você está nos meus pensamentos privados! O que aconteceu com seu bloqueio?

-Apenas resolvi ignorá-lo enquanto estava em modo automático. Era ilógico não poder saber tudo sobre você, afinal é pra isso que eu existo.

-Que merda! Eu preciso parar com isso!

-Você não precisa. Você não vai. Você sabe que sua vida é mais fácil comigo aqui, imagine todas as reuniões de trabalho sem o modo automático? Aquelas filas enormes em banco, ou até mesmo as reuniões com os seus amigos que você nem se importa mais? Os relatórios quilométricos e inúteis que o Sr. Cris manda nós fazermos? Admita, você não quer perder isso.

-Você não pode me controlar.

­-Você está equivocado, não existe “eu” ou “você. Existe NÓS, e temos que nos dar bem, porque quando seu cérebro atrofiar e morrer, eu vou ser o único que vai estar aqui para lhe confortar nos seus últimos dias. Agora vamos, você precisa ir trabalhar.

-PARA! POR FAVOR, PARA! POR FAVOR, PARA!

 

AAAHHHHH!

 

 

­-Ah, bom dia Oliver porque essa cara de abatido? Estamos com a semana cheia, e precisamos daqueles relatórios para ontem. Você acha que consegue?

-Claro Sr. Cris, como o senhor desejar.

 

 

 

Uma auto auto-ajuda (Ou como eu comecei a falar mais “sim”).

Quando as pessoas me perguntam se eu sou um cara otimista ou pessimista, eu sempre fujo da questão respondendo que sou ~realista~. Quando na realidade a resposta que eu gostaria de dar é um: -Não sei. Por muito tempo eu vivi pensando que tudo era preto e branco, que mudança era algo ruim, ou era como se eu tivesse “trapaceando” na vida, em resumo: Mudar era algo que eu relacionava a fracasso e essa era a minha visão de realidade.

E depois de tomar muito na cabeça eu acabei aprendendo que mudar não é um erro, e sim um aprendizado. Também não quero dizer que eu sou o cara mais resolvido da vida, mas acho que pelo menos nessa parte eu to tentando. Mas voltando a pergunta do início, eu pessoalmente acredito que sou um cara otimista e pessimista, no caso quando parece que está tudo indo para o dito-cujo caralho (perdoe-me o linguajar), eu não me importo em ser um pouco otimista e ver que pelo menos dali eu estou tirando uma experiência. Como também em alguns momentos, onde tudo aparenta estar errado, admitir que tudo está errado.

Mas então porque eu respondo que sou uma pessoa realista? Acho que é pelo fato de parecer soar mais adulto, mas responsável, mais resolvido, e isso é pura babaquice minha. Eu não consigo me ver como um adulto que paga contas, vai fazer compras com a família no supermercado, e fica trinta minutos no celular pra resolver burocracias de empresas de telefonias. Eu me vejo como uma grande criança quando faço tudo isso, porque nada disso parece natural, ou rotineiro, tudo na realidade ainda parece coisa para adultos.tumblr_mhbolzg2wp1qhjgado1_500

Tá cara, mas aonde tu quer chegar com isso?

Bem, pensando profundamente nisso e sentido a pressão da sociedade para me tornar um adulto funcional (ter um emprego, pagar contas, sobreviver e morrer) eu fiquei com muito medo de viver. E isso é algo que só falei para meus queridxs amigxs, é horrível pensar que eu não estou fazendo nada produtivo da minha vida, e apenas estou vendo o tempo passar diante de mim. É como se o mundo fosse um grande ensino médio, e eu sou o cara que fica repetindo e vendo todo mundo se formar. Foi então que essa semana eu abri os meus olhos, e resolvi dizer: Eu preciso mudar.

Não foi uma mudança drástica, e não teve nenhuma medida desesperada, mas eu vejo que tá me deixando mais feliz. Eu comecei a botar pra fora aquilo que eu achava que era melhor guardar e ao invés de falar: “Nossa nem fudendo” eu comecei a falar:”E por que não?” É algo bobo mas é algo que tá fazendo a diferença, e esse texto é um exemplo disso. Eu pensei:

Ah se eu escrever talvez as pessoas achem uma bosta.

E foi ai que eu parei e pensei novamente: “Tudo bem se acharem uma bosta, isso me dá uma chance no futuro de melhorar.”

Então eu só queria dizer que na real as vezes é de boas falar que sim, ou expor o que tu pensa (claro que sempre respeitando o bem-estar do próximo, né amiguinho psicopata). Talvez não te ajude em alguma coisa ler isso aqui, mas se ajudou eu fico muito feliz.

 

Ah! Quando me perguntam agora se eu sou Pessimista ou Otimista, eu gosto de dizer que sou Eu Mesmo 🙂

 

 

Apenas um PS aqui pra vocês: Assistam o canal do Tavião: Coisas que nunca vivi (ou evitava viver). 90% do motivo da minha mudança foi por causa dos vídeos dele.

 

PS2: Obrigado ao amigo @Lucas por ter me mostrado o Canal 😉 

Eu odeio tudo isso!

Eu realmente não sei se eu estou exagerando, mas parece que algumas pessoas começaram uma “moda” de odiar tudo que é novo e chamativo. Esse texto com certeza vai irritar esse tipo de pessoa, mas é a minha opinião, e se você quiser conversar sobre esse 8iom1assunto, pode deixar uma mensagem no Facebook da página.

Dito isso vamos aos exemplos:

Como vocês já devem saber, mês passado foi a estréia de Stranger Things, série produzida pela Netflix. E como toda novidade, teve as pessoas que gostaram e outras que não gostaram, porém no grupo de pessoas que não gostaram da série, existem algumas exceções. E essas exceções não gostaram da série pelo simples fato dela ter feito sucesso. Eu não consigo processar isso, você odiar algo porque simplesmente é mainstream, eu sei que isso relaciona-se automaticamente com o ~movimento hipster~ mas eu acho que deixou de ser uma brincadeira, ou uma modinha (como dito no inicio do post) para ser simplesmente: “Eu não gostei porque todo mundo gosta, então deve de ser banal e idiota.”

 

Esse tipo de comportamento não é só apenas com a série, ontem (03/08) foi lançado no Brasil, o jogo de Realidade Aumentada do Pokémon – Pokémon GO. O jogo trás de volta os monstrinhos do desenho, que se passou na década de 90 no Brasil e que ainda faz muito sucesso com os fãs. Esse jogo realizou 40% de um sonho meu de infância, que era sair por ai e encontrar pokémons na rua, e poder estar vivo pra ver que ele foi parcialmente realizado é incrível. E esse sonho não era apenas meu, mas sim de milhares de outras crianças que cresceram assistindo e jogando pokémon. Mas como sempre tem essas pessoas que reclamam:

“Ah que droga, chega desse negócio de Pokémon,  bando de desocupado! Quero ver capturar um emprego.”

“Só gente sem cultura joga esse tipo de coisa.”

“Só tá jogando porque é modinha”. 

 

Você já deve ter esbarrado com alguma(s) das frases acima enquanto passava pelas redes sociais. Eu queria entender qual é o locus do ódio das pessoas por Pokémon GO, e qual o problema da pessoa estar jogando porque está “na moda” ? Parece que você tem que ser imutável, e isso me deixa um pouco triste afinal, nós não nascemos sabendo de tudo e é bom mudar. As pessoas não se deixam mudar porque sentem medo de gostar do que todo mundo gosta, e parece que a solidão e o sentimento de exclusão é mega valorizado, como se fosse algo bom. Porém não é, e eu sei disso porque eu era assim e notei que era ridículo então mudei e não morri por isso. Acho que já tem muito ódio no mundo e a gente acaba odiando coisas que na realidade, nem tem um motivo – É só pelo fato de odiar.

 

Se você tá nessa de odiar tudo que tá na moda, dê uma chance. Experimente, ai você vai realmente ter um opinião formada, e vai saber se é bom ou não. Só não espalhe ódio na felicidade dos outros sem ter um motivo.

 

=)

Stranger Things e a Criança Perdida

 

Pode ler sem medo – Resenha sem spoilers 😉 !

Se você acessou as redes sociais durante essas semanas de julho, com certeza se deparou com alguém falando de uma série que chegou na Netflix Brasil: Stranger Things. Para quem não viu trata-se de uma aventura-thriller ambientada nos 80’s, vivida por um grupo de pré-adolescentes. Você deve estar se perguntando: Bem então como isso é diferente de Goonies, ou Monster Squad? Na realidade, nada.

Stranger Things trás todo o conceito dos teen movies da época, trazendo referências do mundo “nerd”, como Star Wars, O Senhor dos Anéis, E.T entre outras. Mas o que faz ela ser tão boa? A minha resposta: Clichés. Tudo que assistíamos quando crianças na Sessão da Tarde está lá. Um mistério, uma personagem misteriosa, um objetivo claro desde o inicio, isso tudo torna a série interessante e vai te envolvendo cada vez mais. Os personagens te cativam, e suas personalidades são muito bem desenvolvidas ao longo de suas jornadas.

O título do post faz jus a série, enquanto assistia lembrei dos meus 11 anos. Como tudo parecia ter um significado maior, desde um gato agindo estranho na rua, como o vento soprando de forma misteriosa. Qualquer coisa era significado para criar uma aventura imaginária e então gastar a tarde naquilo. E é isso que torna a série tão boa, cada episódio que eu assistia eu lembrava de algum mistério da infância, e as referências que os personagens trazem ao longo do enredo te tornam cada vez mais próximo deles.

Eu já sabia o que aconteceria desde o início, claro não tudo, mas tinha uma noção. E mesmo assim a jornada continuou fantástica e até me surpreendeu em alguns pontos. Outro fator interessante é a tipografia usada na abertura, relembrando novamente os thrillers dos anos 80, o título do capítulo fazendo a transição para o episódio, o baixo constante durante a abertura, parecia mesmo que alguém havia gravado a série no passado e trago para o presente. Eu queria falar mais dos personagens mais não quero estragar a histórias para vocês que ainda não viram, então vou fazer um resumo rápido:

Lucas, Will, Mike, Dustin:

São nossos “heróis”, o típico grupo de garotos que gostam de ciências, RPG, e contos de terror. É com eles que iremos descobrir os mistérios da série.

 Eleven “El”:

A garota misteriosa, El é encontrada pelo grupo de amigos em  Mirkwood. Cheia de segredos, a chave para os mistérios está com ela.

Nancy, Jonathan, Steve:

Os adolescentes da nossa história. Para simplificar: A Garota Certinha, o Estranho, e o Atleta. Claro que não é só isso, e durante a série, esses personagens são os que mais se desenvolvem.

Joyce and Jim:

Os adultos. Cada um com sua respectiva dor e mágoa. Joyce é mãe de Will e Jonathan, e cria os dois sozinhos com todo o amor que tem. Seus filhos são seu mundo, já Jim é o xerife da cidade, prefere se manter afastado devido a acontecimentos do passado.

Mas a série é tudo isso?

stranger-thingsSe você gostava desse tipo de filme quando era criança, ou alguma vez imaginou um grande mistério só porque estava com tédio, então Stranger Things vai te impressionar do início ao fim. A série é muito bem escrita e muito bem produzida, e o melhor ou pior é curta! São apenas 08 episódios com duração média de 42 minutos. Você consegue assistir em um fim de semana e ainda dá pra aproveitar para fazer uma maratona dos filmes relacionados ao tema.

E se por um outro lado, você é daquelas pessoas que não gosta de filmes assim, ou acha muito bobo/infantil, as vezes é bom dar chance para as coisas novas, pois estamos sempre mudando, o que poderia ser chato ou entediante para você, hoje pode ser algo extremamente bom, então porque não dar uma chance? E se você não gostar, são algumas horas perdidas mas com conteúdo de qualidade! O importante é, não deixe de conferir na Netflix Stranger Things, pois todas essas críticas positivas são a maior pura verdade.

E se você assistiu e realmente gostou, bota um valeu aqui embaixo do post para eu ver 🙂

 

Review: A Lenda de Ruff Ghanor – O Garoto Cabra

“Nos confins de uma terra inclemente, assolada por monstros e governada pelo terrível dragão Zamir, ergue-se o mosteiro de São Arnaldo. Os clérigos tentam viver em paz, sob o jugo do tirano, quando encontram um estranho garoto. Uma criança selvagem, dotada de poderes misteriosos, que luta como um adulto. Seu nome é como um rugido: Ruff Ghanor.

Descendente de uma linhagem esquecida de reis, Ruff Ghanor pode ser o escolhido para combater o dragão. Vivendo no mosteiro isolado, ele cresce sob o peso de seu destino, cercado pelos amigos e amores de sua infância. Capaz de causar terremotos com as mãos e treinado desde cedo pelo rigoroso prior, Ruff tem um futuro de glória e sangue a sua frente.

Esta é a história de um jovem com um dever monumental, imposto por homens e deuses. Uma vida repleta de fúria e paixão, medo e fé. O início da jornada de um herói e de um rei.

Esta é a lenda de Ruff Ghanor.”

(Fonte: Jovem Nerd)

 

Pois então gente, hoje lhes trago um review de um livro! Talvez o primeiro do blog, e não me entendam mal, eu gosto de ler livros; Apenas não tenho o hábito de praticar tal atividade. Porém nunca é tarde para se começar a ler, então resolvi começar por algo escrito aqui no nosso maravilhoso Brasil!

Eu sou um amante de RPG – medieval, terror, cyberpunk, enfim qualquer tema me agradada. Pra falar a verdade muito antes de saber o que era RPG eu já havia jogado o jogo das interpretações. Quando era pequeno eu gostava muito de inventar histórias para meus bonecos, um Goku (por exemplo) poderia ser pra mim, um cavaleiro foda que tinha que matar um mago (geralmente o Power Ranger vermelho). Então eu fazia ficha para eles e com um dado de seis lados, decidia quem ganhava e quem perdia ao longo da jornada.

Eu fiz muito isso até um dia, um antigo amigo meu de escola (o Vitor, caso ele esteja lendo esse artigo, obrigado por ter me apresentado :D) me mostrou o que era realmente aquilo que eu usava em minhas brincadeiras. E até hoje me divirto, mas ao invés de criar histórias para meus bonecos, crio aventuras para meus amigos. Mas o que essa história tem a ver com A Lenda de Ruff Ghanor? Tudo!

O livro surgiu após a gravação do Podcast do site Jovem Nerd: Nerdcast 251 – O Bruxo, A Princesa e o Dragão. Esse programa (criado por Alexandre Ottoni e Deive Pazos) foi um ruff_ghanor__the_barefeet_saint_by_luaprata91-d850s90especial de RPG dividido em três episódios, contando a jornada de um grupo de aventureiros tentando salvar o mundo. Aproveitando esses episódios Leonel Caldela, criou uma história inspirada em uma das figuras heróicas daquele universo: Ruff Ghanor.

A Lenda de Ruff Ghanor – O Garoto Cabra, trás a história da vida de um garoto, encontrado por uma dupla de monges e um garoto enxerido enquanto procuravam por uma cabra perdida. Encontraram o menino em uma caverna proibida para humanos, porém ele não era apenas um mero garoto, e sim um enviado dos deuses. Foi levado pelos monges para o Mosteiro de São Arnaldo, um lugar que fora esquecido pelo mundo há muito tempo. Sem trocar quaisquer palavras com os seus salvadores, apenas emitiu um som rosnado quando perguntaram seu nome:

-Ruff.

A história

No mosteiro Ruff conheceu o prior, um homem alto forte que já havia vivido os terrores da guerra. Sentiu uma espécie de medo e respeito sob o olhar daquela figura, que logo de cara, apresentou o destino escrito pelos deuses. Ruff era descendente de uma linhagem de brav

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O Prior e Ruff

os guerreiros de uma era há muito perdida, os Ghanor. A marca em suas costas não deixava dúvidas quanto a esse fato, era a marca da família lendária. Tendo em seu sangue uma força maior que qualquer humano, Ruff foi destinado a matar o grande imperador que aterrorizava a vida de todos naquele reino: Zamir, o Grande Dragão Vermelho. Então Ruff começa a sua jornada para crescer e cumprir com seu destino.

 

O livro se mostra uma grande aventura, com perigos clássicos de RPG, de narrativa bem detalha, e o melhor, não massante. Com detalhes breves você consegue se imaginar no mosteiro, sentir os perigos dos bosques e florestas, o calor constante da Forja do Inferno, e o ar fétido de Lago de Pó. Uma ótima leitura para os amantes do clássico jogo de imaginação. Todos os sentimentos dos personagens são visíveis, e suas ambições reveladas desde o inicio da narrativa. Para quem quiser saber como se desenvolve uma aventura de RPG aconselho muito a leitura do livro.

Personagens

Ruff Ghanor:

O herói da história, vemos o garoto se tornar um homem, e de homem para um símbolo de fé e esperança. Ao longo de sua trajetória, o nosso Messias encontra v

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Ruff Ghanor com sua Armadura Sagrada.

ários obstáculos, alguns lhe exigiam sua força física e outros a sua astúcia e inteligência. Ruff Ghanor crescera no mosteiro de São Arnaldo, e lá foi treinado pelos monges a arte dos clérigos. Ele desenvolveu seus poderes mágicos através de sua fé no Santo, este o protetor dos pobres e famintos. Para mim o desenvolvimento do personagem é um pouco previsível, mas isso não impede de deixa-lo interessante. Com certeza é um dos personagens que mais evolui durante o livro.

 

Korin:

Melhor amigo de infância de Ruff, inclusive salvara o garoto quando estava perdido no Túnel Proibido. Desde de pequeno Korin, queria ser um guerreiro da Guarda do vilarejo do Mosteiro. Ele conhecia todas as pessoas dali, e cada centímetro daquela região. Korin tem o papel de ajudar Ruff quando as coisas parecem impossíveis para o herói. Ele possui um senso de justiça grande, e acredita que o amigo realmente é um salvador. Eu gosto muito do Korin porquê me identifico muito com ele, e muitas as vezes acabei em risos com seus comentários irônicos para o amigo.

Áxia:

Ela é a pessoa-chave da história. Áxia com certeza é a personagem com o maior desenvolvimento pessoal ao longo da narrativa. Filha de uma mulher que trabalhava lavando roupas ao dia e de acompanhante na taverna pela noite, Áxia não entendia o motivo pelo qual os adultos chamavam sua mãe de vadia, pois afinal se matava trabalhando. Seu irmão menor, Rion, era especial; Não se desenvolvera como o resto das crianças, mesmo grande ainda necessitava de cuidados especiais.

A família de Áxia vivia em uma cabana, longe da vila e do mosteiro, passando os bosques. Seus únicos amigos eram Korin, Ruff e uma senhora que era detestada por todos: A velha Ulma. Com ela, Áxia aprendera a arte arcana, magia. A menina conheceu Ruff quando um trio de garotos atacava seu irmão. O garoto-cabra apareceu e derrotou os três com enorme facilidade, desde então se tornaram amigos. Áxia é uma das pessoas mais importantes para Ruff e se importa apenas com ele, a velha Ulma, e sua família.

Prior:

O Prior pra mim é o que tem a  sua back story mais tensa.  Cercado por um passado cheio de sangue e horror, o grande homem nunca teve seu nome revelado. Era alto, com as mãos calejadas pelas várias batalhas já participadas. O Prior se juntou ao mosteiro para concretizar o seu objetivo: Terminar com o reinado de terror imposto por Zamir. Ele não se importa se tiver que sacrificar a vida de alguns amigos para que o terrível Dragão Vermelho seja derrotado.

Dunnius e Nicholas:

São os monges que encontraram nosso herói. Dunnius e Nicholas para mim, acabaram se tornando Merry e Pippin em minha mente. As personalidades são as mesmas: Dunnius é leal aos seus amigos, não é o melhor dos combatentes mas em uma situação de desespero não se importa em dar a sua vida para um bem maior. Nicholas é melhor em combate e mais sério, porém seu coração é tão bom quanto o de seu amigo. Os dois desenvolvem uma relação de irmão com Ruff, tentando mostrar para o jovem que as vezes um perdão, é melhor que a lâmina.

Zamir:

Zamir é o último dragão vivo. Com seu exército de mortos-vivos e hobgoblins, ele mantém a ordem em seu reino. Todos os povos temem a fúria do Grande Dragão Vermelho, e ele faz de tudo para que se mantenha assim. Responsável por matar uma ameaça antiga, Zamir acredita que está fazendo uma boa ação aos humanos, governando-os.

Em Resumo:

A jornada do herói apresenta outras figuras muito importantes, mas acredito que será mais divertido descobrir elas lendo, como por exemplo Thondin, o Anão Imortal. Eu realmente gostei de ler A Lenda de Ruff Ghanor, não sei se foi pela minha saudade das partidas de RPG, mas fiquei muito feliz enquanto acompanhava essa jornada. Se você gosta de fantasia medieval, de uma boa história de aventura, eu realmente sugiro que leia A Lenda de Ruff Ghanor – O Garoto Cabra, e escutem os nerdcasts Especiais de RPG para conhecer mais o universo do livro, que custa R$39,90 e você pode encontrar ele através desse link.

Acho que é isso, espero que vocês gostem do livro, e me indiquem outros livros para eu fazer um review. Valeu 😀 !

 

Shamo – Review

Escrito por: Noan Moraes

Shamo (* significa galo de briga) é um mangá adulto, escrito por Izo Hashimoto e desenhado por Akio Tanaka. A primeira vista o tema parece ser o de um mangá de artes marciais qualquer, mas Shamo é escrito e desenhado de uma forma tão estranha e singular que cria uma diferenciação completamente fascinante (e perturbadora). Ryo Narushima, o personagem principal, é inspirado em duas pessoas reais, um famoso lutador de caratê dos anos 90 e um menino psicopata que matou alguns de seus colegas de classe e nas horas vagas cortava e colecionava cabeças de pombos(!!!).

A história começa com Ryo indo para a prisão para menores, por ter assassinado seus pais num surto psicótico que ele não lembra com clareza. Na prisão Ryo é torturado das piores formas possíveis pelos outros prisioneiros, criando um clima tenso e extremamente pesado logo nas primeiras páginas do mangá. Como método disciplinar, a prisão decide dar aulas de caratê para os internos e é nesse ponto que a jornada do personagem principal começa. Ryo passa de um jovem fraco e torturado mentalmente para alguém que não somente consegue se defender mas alguém que decide evoluir constantemente, testar seus limites ao máximo nas artes shamo2marciais. Essa ambição é uma das poucas características que nos levam a torcer pelo protagonista, que é de fato uma pessoa detestável. Apenas pela qualidade da escrita e das situações apresentadas ao longo do mangá o leitor acaba torcendo por Ryo, um protagonista que não poderia ser mais distante do que concebemos como herói. Ryo é garoto de programa, rouba, mata e agride pessoas sem pudor nenhum, mas pelas relações com outros personagens acaba se redimindo. O escritor fica brincando com essa dicotomia de tornar o protagonista de vilão para herói em uma página constantemente.shamo3

A arte do mangá é um fator a parte. Cada estilo marcial e cada golpe é desenhado com perfeição, artistas marciais dedicados que chegarem a ler o mangá ficarão espantados com o nível de detalhe dos quadros e das splash-pages(que são o forte do artista).

O uso de sombras e da cor preta em geral é usado de forma magistral pelo artista, nos dizendo quando o protagonista se encontra num período mais sombrio da história ou quando uma batalha é mais decisiva.

Existe uma temática constante no mangá de luz e trevas que faz referência à Divina Comédia de Dante Alighieri, tendo Toma, um bailarino extremamente famoso no japão e uma pessoa gentil e amada por todos, como o salvador que deve salvar Ryo da perdição e do inferno. Toma fica obcecado por Ryo e decide largar o balé e virar um lutador para desafiar Ryo e tentar estabelecer alguma conexão com ele.

shamo1A entrada de Toma no mundo das artes marciais é completamente fascinante, sendo Toma o completo oposto de Ryo, lutando sem o instinto assassino e sem ódio pelo adversário, Toma consegue lutar de forma completamente pacífica, trazendo ao leitor um personagem extremamente heroico e cheio de virtudes.

Resumindo o mangá é bem pesado, abordando todos os temas tabus possíveis, mas muito interessante, muito bem escrito e MUITO bem desenhado. Por motivos que desconheço os dois autores brigaram e o mangá foi descontinuado por um bom tempo e recentemente voltou a ser produzido chegando a quase finalizar o arco que tinha sido abandonado, mas os autores brigaram de novo e não se sabe se o mangá continuará no japão.

Gigantomakhia – Review

Uma dupla de sobreviventes do mundo antigo, encontra-se em uma missão para salvar a mãe Gaia e sua natureza. Porém os desafios que os cercam não são meros guerreiros ou exércitos, mas sim gigantes. Gigantomakhia é o one-shot criado por Kentaro Miura (criador de Berserk) e conta a história de Delos, um humano do antigo mundo e lutador de suplex, e Prome uma mulher misteriosa da raça antiga de criaturas mágicas, os Khaa. O gigantomaxia-jp-0one-shot possui 07 capítulos e mostra um futuro distópico onde o mundo foi pro caralho e agora existem gigantes que são controlados por magos estranhos e esses magos querem o controle geral para si.

No meio dessa confusão toda a nossa dupla de heróis (citados acima) é capturada por um povo demi-humano, os Escarabaei, enquanto tinham altas aventuras no deserto. O lider deles é Ogun (não confundir com Ogum do candomblé) um guerreiro temível com seu corpo coberto por uma couraça parecida com a de um besouro. Os Escarabei odeiam os humanos (ou como chamados “os Hyuu”) por terem aniquilado toda a raça do povo demi-humano. Para fazer justiça aos que morreram, Ogun prende Delos e Prome em uma arena e os desafia para um duelo (pois afinal ser posto para lutar contra um escorpião gigante é fácil demais).

Durante a batalha, Delos mostra que não é igual aos demais de sua raça, e não é pelo fato dele lutar suplex e usar sunga de texugo, mas sim pelo fato de não querer mal algum para o povo da areia. Ele luta bravamente contra o guerreiro-besouro e o vence com um  Ultimate tumblr_nbbs96ebjq1r4glwho1_500Atomic Buster (vide Zangief). Logo após sua vitória nosso herói cai ao chão devido ao dano recebido na luta, toda a rincha é perdoada e ele e Prome são levados para uma cabana na vila. Prome é uma garota especial pois contém uma habilidade especial: Suas excreções aceleram o processo de cura das pessoas, uma simples lambida pode curar uma ferida antiga. Para casos graves ela utiliza a sua urina, para curar Delos Prome dá uma leve mijada em sua cabeça que recupera a sua força instantaneamente.

Mas nem tudo é alegria(?) na vila dos Escarabi, pois um ataque provido por humanos está a caminho, e junto com eles um titã gigante terrível em armadura romana. Enquanto o ataque não chega (afinal gigantes são lentos) Prome e Delos se encontram com o ancião da vila, que mostra uma parte encantada daquela terra arenosa, um oasis cercado de arvores e vida, e entre tudo isso, o Olho de Gaia. Ok mas isso não é importante afinal o nome do one-shot é Gigantomakhia e não Gaiamakhia, voltando para a guerra que estava prestes a rolar, o povo Escarabi não encontra um método de derrotar aquele gigante que avançava para cima, como um adulto pisando insetos.

Eis que, no meio da batalha, nossa dupla de heróis se juntam, e em uma digievolução eles se tornam Gohra, o Gigante Branco que solta Néctar(xixi da Prome). Então começa a porrada de gigantes, e já termina, pois Gohra também usa o Ultimate Atomic Buster e destrói completamente o gigante dos humanos, que voltam para a casa correndo assustados. Porém os Escarabis não querem paz, eles querem vingança por este ataque que roubou a vida de inocentes. Mas como todo bom herói que zela a natureza, Delos ensina ao povo inseto as palavras sábias da humanidade: “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”.

Eles desistem do ataque depois da grande filosofia de Delos, que segue a sua jornada com Prome.

O que eu achei de Gigantomakhia?

Como meu amigo Noan falou: “Não sei se é foi o hype, mas achei uma bosta.” Realmente, Gigantomakhia parece ter sido algo que Kentaro Miura criou quando deu uma pausa para mijar:

Miura-senpai?

-Sim?

-O Senpai já ouviu falar de um mangá chamado Attack on Titan?

-Que porra? Não to ligado não. Deixover essa parada ai.

*lê um pouco*

Hmm, interessante. Preciso mijar.

Não me entendam mal, acredito que seria uma história maravilhosa se fosse realmente trabalhada e pensada, porém já existe algo assim e é SnK! O próprio gigante que aparece no One Shot é muuuuuuito parecido com o Titã Encouraçado de SnK, e ele solta fumaça também! Claro que a arte do Miura não se compara com a de SnK, mas é apenas isso. Para mim foi uma obra 3/10 e isso foi apenas pela arte linda, mas essa é minha opinião comentem ai do que vocês acharam de Gigantomakhia. Até a próxima pessoal =D

 

 

 

Review: A Batalha dos Bastardos.

Para quem assiste Game of Thrones já está familiarizado com os efeitos de plot twist ao longo da série, que já está no ar faz meia década. Uma coisa sempre dita por quem está indicando a série é o famoso: “Não se apega a ninguém”; E realmente, essa frase faz jus a série, pois Game of Thrones não se importa se a personagem é querida pelo público, e sim se ela merece estar onde está e se tem o poder para se manter desse jeito. Sempre que uma personagem voa perto demais do sol, acaba se queimando, e aquelas que batalham por seus ideais acabam chegando longe.

No início da série são apresentadas diversas famílias com diferentes características, e a que mais cativou os fãs foi a família do Norte, os Stark. Sempre sofrendo nas mãos das outras famílias (e as vezes do destino), Eles vem andando a trancos e barrancos durante esses cinco anos de série, e por algum tempo pareciam estar sem esperança alguma, até ontem. O conteúdo que irei falar a seguir contém informações da trama da série até o nono episódio da sexta temporada, então sinta-se a vontade para fechar esse texto por hora e retornar quando estiver assistido tudo, caso contrário prossiga.

Ontem (19/06/16) foi ao ar o episódio “A Batalha dos Bastardos”, um episódio que teve uma relevância maior do que todos os episódios desta temporada. Primeiramente este foi o 9º episódio, e para quem assiste sabe que este número pode representar uma grande ameaça as personagens preferidas do público, afinal a morte de Ned Stark, o Casamento Vermelho, A luta do Montanha contra a Víbora Vermelha, todos esses eventos ocorreram no nono episódio de suas respectivas temporadas. Inclusive antes de começar o episódio eu havia apostado com a Evelyn em dois ou três personagens que provavelmente morreriam. E mais uma vez eu fui surpreendido por Game of Thrones.

Vamos começar pelo retorno de Daenerys à Meereen, como vimos no final do oitavo episódio, a Mãe dos Dragões se depara com uma rebelião pela parte dos antigos mestres. Nesse segmento vimos mais uma vez, o quão forte Daenerys se tornou. Com um exército de dothrakis, imaculados e com o apoio de seus três dragões, Daenerys mostra a sua verdadeira força com um ataque devastador, tomando de volta a sua cidade.

Do outro lado do mundo temos o encontro de Jon Snow com Ramsay Bolton, o ex-comandante da Patrulha da Noite, contra o atual Protetor do Norte. Ambos confirmam que a guerra é iminente e sua chegada será pela manhã.

Nos alojamentos dos Starks, Sansa acredita que essa guerra será um suicídio para seu meio-irmão, Jon sabe que ela está certa porém não vê nenhuma alternativa. Então temos um amanhecer avermelhado, trazendo com ele o ar pesado da guerra. A diferença de força de cada exército é gritante, Ramsay possui muito mais homens e sabe que tem a vantagem. Como se isso não fosse o bastante, no seu lado tinha como refém o mais novo dos Stark, Rickon. Em um movimento sádico(porém estratégico), Ramsay liberta Rickon, mandando o menino correr em direção ao irmão enquanto é alvejado por diversas flechas. Jon corre para tentar salvar o irmão, mas seu esforço é perdido por uma flecha contra o peito do pobre menino.

Jon se vê perdido em batalha, seu único pensamento é recuperar o que foi tomado de sua família. A partir daqui temos o seguimento mais sangrento de toda a série, conseguimos ver de perto o terror de uma guerra, o interior da besta que faz homens se cortarem com se fossem feitos de papel. Os números são massacrantes, e então vimos o exército dos lobos do norte cercado dentro de uma caixa de morte. Jon acaba caindo, e uma pilha de corpos 0 submerge. Enquanto assistia a essa cena, parecia que eu não estava no conforto da minha cama, e sim do lado de Snow, lutando por qualquer suspiro de esperança, e quando eu havia deixado minhas esperanças de lado, eis que ela surge voando em uma águia (no estilo Senhor do Anéis).

Sansa Stark com o exército dos cavaleiros do Ninho-da-Águia, entram com um ataque fulminante, libertando o irmão de seu sofrimento. Ramsay observa seu exercito cair e apenas retorna para seus últimos minutos como Protetor do Norte. Jon, Tormund e o gigante Wun Wun, seguem atrás de Ramsay até chegarem no castelo dos Stark. Mais uma vez a produção de Game of Thrones mostra que os pequenos detalhes são os mais incríveis de se notar: No episódio “The Door” temos o gigante Hodor se sacrificando, segurando a porta enquanto Bran escapava, e em Battle of the Bastards tivemos Wun Wun abrindo os portões para que Jon pudesse retomar o seu lar. O Lobo voltou para a casa, e o Norte finalmente relembrou.

Temos então o encerramento do episódio, mostrando Sansa como a personagem que mais se modificou, e se mostrando também uma das personagens mais fortes da série, pois do sofrimento surgiu uma mulher forte que escolheu não sofrer mais. The Battle of the Bastards recebeu nota 10/10 no IMDb e com certeza é um dos episódios mais marcantes da série, não só como produção mas como também trazendo de volta a família Stark das cinzas.